NOVA ARGÉLIA JÁ COMEÇOU

Parece que os Argelinos “remaram contra a maré”. Continuarão assim? Pelo menos, é o que a história nos conta.

Em uma região que tem sido alvo de muitas mudanças e, consequentemente, realizando eleições pontuais, talvez seja de se estranhar a razão pela qual os argelinos escolheram seus representantes. Afinal de contas, não foi a mesma escolha feita nos países vizinhos. Todas as eleições realizadas pós-primavera árabe optaram por um governo islâmico, tentando por fim à um governo chamado de “secular”. Isso aconteceu na Tunísia, no Marrocos e com muita probabilidade (em um futuro próximo), na Líbia. Havia grande expectativa quanto à Argélia, já que a famosa “boca de urna” havia declarado que o mesmo aconteceria por lá: islâmicos no poder. Mas não foi assim: o vencedor das eleições em Maio agora (2012) foi o partido FLP, “Frente de Libertação Nacional”, fazendo com que os partidos islâmicos tivessem baixa pontuação.

A Argélia sempre foi um país interessante. Mas passou pela fornalha nos anos 90.

Uma carnificina. O sangue tomou conta do país pois grupos rebeldes islâmicos organizaram um conflito armado contra o governo argelino, causando um número estimado de mortos entre 150.000 e 200.000. Nessa época, muitos trabalhadores estrangeiros foram expulsos. Alguns morreram. Um período sangrento do norte à sul do país. O conflito terminou com a vitória do governo após a rendição do “Exército de Salvação Islâmica” e a derrota (em 2002) do Grupo Islâmico Armado. No entanto, ainda existem atualmente alguns conflitos de baixa intensidade em algumas áreas e a ameaça constante do Al-qaeda magrebino (no sul do país).

A oposição ao Evangelho no país é intensa, apesar dos muitos milagres que o Senhor tem feito atualmente. Isso aconteceu depois de mais de 160 anos de árdua semeadura e lágrimas, feita por trabalhadores dedicados e persistentes. Alguns deles tiveram que semear a própria vida, como preço para algo maior que estava por vir.

Um momento importante para os fiéis argelinos aconteceu quando o governo legalizou a igreja protestante, tornando possível aos milhares de cristãos de exercer sua fé sem medo de represálias. A medida anunciada pelo Ministério do Interior significou uma mudança aparente na posição do governo e uma decisão inédita nos países magrebinos. Nascia, assim (no papel), a Igreja Protestante da Argélia.

Foi justamente na região de Kabyle que o Evangelho começou a crescer. Hoje é possível ver igrejas organizadas, cultos fervorosos e inúmeras pessoas adorando ao Senhor. Um movimento do Espírito que, alguns dizem, está começando a impactar os países vizinhos (Marrocos ao leste, Tunísia à oeste), como se fosse uma onda. Apesar do reconhecimento do governo para com as igrejas e o forte crescimento entre os Kabyles, não significa que a perseguição terminou.

Várias fontes apontam por uma certa “deterioração” na situação dos cristãos na Argélia, particularmente na região de Kabyle, freqüentemente considerada como sendo um lugar onde o evangelismo ocorre. Mas nada fora do normal quando falamos de perseguição.

Como pequeno exemplo, no ano passado (2011) o diretor cristão de uma escola primária de Kabyle foi suspenso pelo Ministério de Educação. Segundo o ministério, “o diretor usou a escola para estimular o evangelismo cristão e não seguiu o currículo escolar”. O Ministro para Assuntos Religiosos ficou contente com a decisão. O diretor nega todas as acusações. Em outro incidente, foram levadas cinco pessoas recentemente para a Corte de Tizi-Ouzou, em Kabylie, acusadas de evangelizar. Os eventos realçam a aplicação da lei proselitista (relacionada a locais de adoração e culto) aprovada em setembro de 2006 e que está começando a ser aplicada na Argélia. No início deste ano (2012) extremistas muçulmanos queimaram uma igreja em Tizi Ouzou. A mesma foi ameaçada desde dezembro, quando extremistas interromperam uma celebração de Natal. “Como as pessoas continuaram a vir para os cultos, apesar da intimidação, os extremistas muçulmanos decidiram queimar a igreja”, relataram.

A lei busca prevenir a conversão de muçulmanos ao cristianismo e exige penas de prisão e multas para qualquer um que “incitar, forçar ou usar meios de sedução com uma visão diferente para converter muçulmanos a outra religião” ou que “faz, vende ou distribui documentos impressos ou materiais visuais auditivos ou qualquer outra mídia que busca arruinar um muçulmano na fé dele”.

Muitos temem o fechamento dos lugares não-registrados de culto na Argélia, o que seria contrário à Constituição do país, que garante liberdade de consciência e opinião (artigo 36) como também liberdade de expressão, associação e assembléia (artigo 41).

Fundada em 1974, a IPA (Igreja Protestante da Argélia) possui cerca de trinta templos espalhados pelo e alguns milhares de devotos centrados principalmente na região do Kabyle. Argelinos que se tornaram cristãos (ao contrário do que acontece com os escassos fiéis da Igreja Católica, na sua maioria estrangeiros) constituindo, assim, a segunda maior religião no país (mais ainda com porcentagem mui pequena) após o quase onipresente Islã.

Vamos agradecer ao Senhor por aquilo que Ele tem feito neste maravilhoso país. Foi por um preço alto que Ele morreu por nós, para que pudêssemos ressuscitar com Ele. Que este movimento se espalhe por toda a África do norte, fazendo-a se render ao senhorio de nosso Mestre.

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