O que está acontecendo?

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Depois de todo o movimento que aconteceu em toda África do norte neste ano que se passou (2011), é normal pensar e refletir nos resultados aparentes, principalmente quando tratamos de coisas espirituais. Mesmo sem ter todas as respostas prontas, temos a absoluta certeza que Deus teve-tem-terá todo o controle sobre todas as coisas.

Verdade é que sempre imaginamos em como Deus “tirou proveito” dos acontecimentos. Muitas vezes usamos uma linguagem “mais espiritual” para poder reconhecer a mão do Senhor em tudo. Todavia, em algumas situações, as mesmas respostas parecem não dar o ar da graça: não conseguem responder a principal pergunta da mente. Seria isso falta de fé?

Com certeza que aos olhos humanos são muitos os questionamentos e isso é absolutamente normal. O desejo nosso e de muitos que amam esses povos é vê-los se abrindo para o Evangelho de Cristo. Será que a liberdade desejada pelo povo poderia abrir mais caminho para uma sede interior por mudança? Claro que sim. Mas o que estamos vendo? Quais são as notícias pós revoluções? O que está acontecendo?

A Tunísia foi o primeiro país a se levantar contra a ditadura e, coincidentemente, foi o primeiro também a realizar eleições. Apesar da confusão partidária, as eleições ocorreram em Outubro de 2011. O resultado foi que o partido islâmico Ennahdha saiu-se como vencedor, ocupando o maior número de cadeiras no parlamento e dando nome ao primeiro ministro do país. Há uma certa apreensão quanto ao resultado, já que o partido se mostra conservador (embora o discurso de liberdade). Obviamente, problemas quanto a liberdade já começaram a todo vapor.

No Marrocos, apesar de não ter sido palco de grande manifestações (houveram algumas), o rei anunciou reformas na constituição e eleições em 2011. O povo escolheu quem os representaria no parlamento: o partido islãmico também teve o maior número de votos e o novo primeiro ministro da nação, chamado de “moderado”, saiu do mesmo partido. Veremos mais liberdade depois deste resultado?

Na Argélia não houve eleições ainda mas a data para a mesma está fixada para Maio deste ano. Segundo o que se vê nas pesquisas de opinião pública, parece que o partido islâmico está na frente. Já na Líbia, nada de novidades no momento, apenas a tentativa do povo em voltar a sua vida normal. O chamado “governo de transição” já citou em diversas oportunidades que são a favor da lei da Sharia. No Egito, houve eleições e o partido islâmico ganhou.

De acordo com os resultados das eleições, podemos fazer à nós mesmos diversas perguntas. Será que não seria melhor que os partidos islãmicos não dirigissem esses países? Será que eles não “fecharão mais as portas” para o Evangelho? Diante de suas vitórias, em quê podemos ver a mão de Deus agindo? O que está realmente acontecendo?

Ter essas perguntas em mente não é pecado. Aliás, Deus nos chama sempre para conversar e, conforme a que aconteceu com Ele e Abraão, gosta de compartilhar conosco seus planos (Gn. 18:17). Obviamente que esperávamos que, ao nosso mode de ver, seriam melhores. Saber que Deus tem o controle sobre todas as coisas pode parecer simplório demais quando nos deparamos com coisas que não esperávamos. Mas aquilo que tentamos definir como “simplório” pode conter tesouros escondidos que nossos olhos jamais poderão ver se, no fundo, questionarmos a Sua presença conosco.

Habacuque parece ser um dos únicos profetas que abertamente questiona a Deus. Ele viveu, provavelmente, uns 600 anos antes de Cristo, na terra de Judá. O pequeno livro relata uma conversa entre o profeta e o próprio Deus, pois a injustiça do seu povo estava visível e ele prontamente pergunta ao Senhor por quê Ele não estava agindo (Habacuque 1:2). A resposta de Deus foi aterradora, pois disse que o povo violento e injusto merecia justiça (1:5-11). A conversa dos dois prossegue, até que Habacuque decide esperar para ver o que o Senhor faria (2:1).

Ao final do livro o profeta pede pelo avivamento. Pede para que essa obra maravilhosa que ninguém estava crendo (1:5) fosse conhecida, e que a misericórdia fosse a máxima da lembrança divina. Começa a relatar o poder estarrecedor de Deus, sua força e capacidade, até que ele se rende à visão cega mas celestial que precisa ter:

Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;

Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação (Habacuque 3:17 e 18)
O que está acontecendo na África do norte?
Não existem respostas nesse mundo, nem da mais profunda mente humana, que possa apagar a certeza de que podemos nos alegrar no Deus de nossa salvação. Ele está conosco, como um forte guerreiro, implantando Seu Reino em meio à densas sombras que tentam nos desnortear. Qual será o nosso papel?
Vamos descansar na torre de vigia e ver, como platéia que bate palmas ao Eterno, a obra maravilhosa que ele está fazendo em todo Magrebe. À Ele honra, glória e louvor, para sempre!

 

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