O Vento sopra onde quer!

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E a Primavera parece que não acabou.

A Assembleia Nacional da Tunísia concluiu a aprovação de todos os artigos da nova Constituição do país, pouco mais de três anos após a chamada Primavera Árabe que depôs o líder autocrático Zine el-Abidine Ben Ali, afirmaram membros da assembleia. O Legislativo fará ainda uma última votação da Constituição inteira para a sua aprovação final, em um dos últimos passos para a transição do pequeno país do norte da África à democracia plena após o levante popular de 2011.

Porém, parace que quase ninguém mais fala na Revolução de Jasmim. Na Tunísia, os três anos da fuga para a Arábia Saudita do ditador Ben Ali, em 14 de janeiro de 2011, foram comemorados por uma multidão em Túnis, a capital, e em outras cidades deste pequeno país no Norte da África, com cerca de 11 milhões de habitantes. As manifestações contra a ditadura de três décadas de Ben Ali deram o ponta-pé inicial no que ficou conhecido como Primavera Árabe: um rastilho de revoltas populares que se propagou pelo mundo árabe, para derrubar regimes autoritários, em busca de liberdade e melhores condições de vida.

A pioneira Tunísia é hoje o único país em que a expressão Primavera Árabe ainda faz sentido. Ele enfrenta enormes problemas, principalmente econômicos, com alto ressentimento público contra o desemprego, elevado custo de vida e travas ao desenvolvimento. Mas leva a vantagem de ser um dos mais seculares da região. Um partido islâmico pragmático, o Ennahda, venceu as eleições há dois anos, mas chegou a um impasse com a oposição secular, temerosa de que preceitos religiosos islâmicos fossem impostos aos tunisianos.

Há dias, o governo do Ennahda concordou em renunciar e abrir caminho para uma administração tecnocrata que dirigirá o país até as novas eleições — apenas as segundas desde a queda de Ben Ali e as primeiras com a nova Constituição e a comissão eleitoral já instaladas. O texto da nova Carta afirma que o Islã é a religião tunisiana, mas não faz referência à lei islâmica (sharia), obstáculo à modernização. As forças liberais tiveram garantias de que o Estado continuará sendo civil, com separação de poderes, liberdades e direitos associados à democracia. Está no caminho certo, mas tem que correr para melhorar a economia, sob pena de a paciência popular se esgotar.

Nos demais países, a Primavera desandou. O Egito acaba de aprovar, em referendo, uma nova Constituição, mas ela, em alguma medida, ameaça trazer de volta a era do ditador Mubarak. A Carta legitimiza o golpe militar do ano passado contra o governo islâmico eleito após a queda de Mubarak — e que tentou enveredar pela islamização —, abrindo o caminho para que o homem forte do país, general al-Sissi, concorra à presidência. É o primeiro passo para o retorno ao passado.

O processo foi doloroso na Líbia, onde o ditador Muamar Kadafi foi morto, mas o frágil governo instalado não dá conta de pacificar os grupos armados remanescentes do conflito interno, nem impedir que o país se transforme num exportador de militantes islâmicos radicais. Na Síria, a Primavera Árabe foi recebida com armas pesadas, inclusive químicas, e bombardeios aéreos pelo ditador Bashar Assad, ainda no poder. Em três anos de guerra civil, mais de 130 mil pessoas morreram e cerca de 9 milhões deixaram suas casas. Em comparação, a Tunísia parece ser um oásis.

Mas todos nós sabemos muito bem que em todos os movimentos da história, Deus se fez presente. Sempre foi assim, e agora continua sendo. Resta-nos acreditar n’Ele, em seus desígnios, pois Ele tem planos de paz e não de mal. Oremos para que a primavera realmente aconteça dentro dos corações. Só assim a verdadeira felicidade (tão desejada) acontecerá.

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