Se foi sem deixar saudades

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A morte continua sendo algo que mexe com todos. Afinal de contas, nenhum de nós fomos preparados para morrer. Ela é o resultado de um ato nosso, à muito tempo atrás, que nos persegue enquanto tivermos fôlego de vida. Dependendo do tipo de vida que se leva, a morte pode ser apenas uma inacreditável “passagem”.

Mês passado, na TV internacional: cenas chocantes sobre o assassinato de Muamar Kadafi. Um dos programas mais tristes da história humana, que comprova mais uma vez como o resultado de ações que tomamos pode nos dar o fim “que desejamos”. Pessoas próximas de Kadafi disseram que o “guia” preferia morrer na Líbia do que ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Agora há um país inteiro em festa, com a caída sangrenta do coronel ditador. Verdade é que a esperança está “viva”, muitas possibilidades estão diante de nós por causa da Primavera Árabe e precisamos estar atentos e “fazer parte” daquilo que Deus está fazendo no mundo muçulmano.

Kadafi chegou ao poder em 1969, quando tinha 27 anos. Depôs o rei Idris I, um golpe de Estado bem organizado e sem sangue. Com o tempo, ganhou a ódio do ocidente com seus possíveis envolvimentos em atentados internacionais. Mas o petróleo tem grande valor e, assim, foi “ganhando terreno” com amigos ocidentais sem falar nos grandes investimentos realizados nos países sub-saharianos. Considerava Berlusconi (chefe do governo italiano), Sarkozy (presidente francês), Erdogan (primeiro-ministro turco) e Tony Blair (ex-primeiro-ministro britânico) como “amigos próximos”. Suas aparições em reuniões internacionais eram marcadas por roupas extravagantes e discursos sem rodeios, Kadafi desenvolveu sua própria filosofia política, escrevendo um livro chamado “Livro Verde”. Lançado nos anos 70, ele expôs ali sua filosofia política, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo. Em 1977, ele criou o conceito de “Jamahiriya” ou “Estado das massas”, em que o poder é exercido através de milhares de “comitês populares”. A teoria alega também resolver as contradições inerentes no capitalismo e comunismo, para colocar o mundo em um caminho de revolução política, econômica e social e libertar os povos oprimidos. Teoria.

Era interessante ver como ele se hospedava em suas viagens internacionais: acampava em luxuosas tendas beduínas, típicas dos povos de sua região (ele nasceu no deserto líbio, perto de Sirte em 1942). A tenda também foi usada diversas vezes para receber personalidades e políticos na Líbia, durante encontros nos quais Kadafi se protegia das moscas com uma crina de cavalo ou com um leque feito de uma folha de palmeira. Mas a Primavera Árabe chegou e ele não pode se proteger do descontentamento da nação, mesmo que ele referia à si mesmo como “rei dos reis”. Uma luta armada começa a varrer o país por cerca de 7 meses, até o dia 20 de Outubro de 2011.

Os combatentes fiéis ao ex-líder caíam um após o outro sob o fogo dos pró-CNT (Conselho Nacional de Transição), enquanto voluntários de Sirte (onde ele estava escondido) sem experiência, tentavam ajudar. “Kadafi lia livros, fazia muitas anotações e dormia. Era Muatassim que comandava os combatentes. Kadafi nunca lutou. Ele estava velho”, explicou um de seus combatentes. No dia 19 de outubro, a situação ficou desesperadora: a última quadra do bairro n°2 de Sirte é cercado e bombardeado pelo CNT e pela Otan. Ele saiu decidido partir para o sul, na direção de Wadi Djaref, próximo da cidade natal. Um erro fatal. Facilmente a Otan percebeu a movimentação, bombardeou o comboio e “deixou o trabalho final” para as tropas da CNT, matando ou capturando sobreviventes. Ferido, Kadafi foi encontrado escondido em tubulações de água e esgoto. Foi pego pelos combatentes de Misrata, apanhou, foi insultado e humilhado. Duas horas depois, estava morto com um tiro na cabeça e outro no peito (segundo o que dizem). Seu corpo chegou a ser arrastado e depois ficou exposto ao público por alguns dias em um frigorífico que estava abandonado.

Se foi sem deixar saudades.

Na bíblia nós temos também um exemplo de alguém assim. Jeorão foi rei de Jerusalém por 8 anos. Sua maldade era notória: perdido em sua arrogância, não pensou duas vezes ao assassinar seus irmãos a sangue frio, em um ato cruel e totalmente contrário as expectativas naturais do homem. Ele não assassinou apenas uma, assassinou seis pessoas, isto é, seis irmãos. Jeorão também não soube fazer alianças pois resolve se casar com a filha de Acabe e Jezabel, que muito provavelmente o influenciou a viver na conduta de seus pais que tanto se distanciaram de Deus. Também assassinou alguns príncipes de Judá e não observou a revolta dos edomitas como um aviso para o arrependimento dos seus maus caminhos. Fez tudo isso em apenas 8 anos. Sua morte foi horrível: uma doença incurável, suas entranhas “lhe saíram” e assim se foi. Apesar de ter sido rei e ser sepultado na cidade de Davi, não foi colocado junto aos outros reis. Se foi sem deixar saudades (II Crônicas 21).

Kadafi e Jeorão. Dois “reis” que não foram reis. Duas pessoas que tiveram a possibilidade de governar, de conhecer a Verdade, de fazer justiça e retidão para com o povo. Mas não fizeram. Assim como Jeorão, não se sabe onde Kadafi foi enterrado pois foi feito de maneira secreta e em um lugar totalmente desconhecido.

Falar dessas pessoas pode até ser impessoal, pois são gente que simplesmente “conhecemos” pela TV (Kadafi) e pela leitura bíblica (Jeorão). Mas nós, como pessoas, precisamos ter certeza que é possível “deixar saudades” naqueles que nos cercam, no âmbito de convivência que temos, seja ele qual for. Você não precisa ter títulos, morar fora do Brasil, ter um cargo ministerial, ou ser influente no governo para poder “deixar saudades”. O Amor de Deus extravasa todos esses conceitos, lugares e “formas”. Podemos não ter uma coroa na cabeça, porém nosso Deus nos demanda à “deixar saudades” naqueles que nos cercam. É muito mais do que ter uma multidão em nosso funeral, chorando ao redor de nosso corpo. É deixar “um pouco de si” nas pessoas, é ter sido influência boa e saudável, fazendo com que, um dia, a morte de cada uma delas se torne apenas uma grandiosa passagem: para a vida eterna.

Faça as pessoas viverem bem ao seu lado. Não seja coronel, muito menos rei! Seja amigo d’Ele e deles. Se você for embora daqui antes d’Ele voltar, o mundo precisa sentir tua falta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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