UM JASMIM, UMA MUDANÇA

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Eu não conhecia nada do Jasmim, só fui conhecer em minha segunda visita à este país maravilhoso. Mas mesmo sem ter muita informação sobre ela, já ouvira dizer muitas coisas dessa flor. Realmente o seu cheiro é adocicado, sei que o chá de suas flores alivia, refresca e estimula. Também é anti-depressivo. Precisando, ajuda nos processos de falta de auto-confiança. O Jasmim resolve insônia, ansiedade e letargia. Portanto, apesar de ser considerada uma flor doce, o Jasmim pode fazer uma revolução e tanto.

E fez.

A Tunísia é conhecida de maneira carinhosa como “Jasmim”. É uma flor emblemática dessa nação, geralmente usada nas campanhas turísticas. Alguns tunisianos não gostam muito dessa comparação, mas o fato é que a “Revolução do Jasmim” aconteceu e demonstrou uma ação popular de tamanha grandeza que todos nunca imaginavam que isso um dia acontecesse. Isso fez derrubar uma ditadura de 22 anos, à força do grito (também banhada à fogo e sangue), desencadeando um movimento popular por todos os países da África do norte como também no Oriente médio. Assim, a “Revolução do Jasmim” se tornou a “Primavera Árabe”.

Mas tudo começou por um ato surpreendente na pequena Sidi Bouzi (Tunísia), em Dezembro de 2010.

Mohamed Bouazizi era um homem normal. Amigos falam que ele conseguia cerca de 70 dólares mensais em seu emprego informal: venda de legumes e frutas. Aliás, já estava no trabalho desde os 10 anos de idade, já que seu pai morreu quando ele tinha 3 anos. Precisava fazer alguma coisa para ajudar sua mãe e irmã. Será que dá para sustentar, com trabalho informal,  uma família de 3 pessoas com cerca de R$ 140,00 (Se 1 dólar for 2 reais) por mês? Assim ele foi formado pelas ruas da vida, vida essa difícil mas que precisa ser enfrentada com dignidade e respeito.

Mas onde estava a dignidade e respeito quando se confiscava seu carrinho de vendas? Afinal de contas, foram várias vezes que as autoridades locais fizeram isso, embora o ministro de trabalho da Tunísia tenha falado que pessoas que vendem com carrinhos não precisam ser regulamentados. Todavia, Mohamed Bouazizi era frequentemente importunado pelas autoridades. Eles não queriam frutas, legumes, não queriam que as regras fossem obedecidas. Não existe regra, apenas uma: dinheiro. Queriam o dinheiro suado e trabalhado com muito esforço. E assim ele foi vivendo, em meio as dores e lutas.

Até que uma sexta-feira, dia sagrado para muçulmanos, chegou. Essa sexta ia ser diferente para a sua vida. Mais uma vez as autoridades locais confiscaram seu carrinho de vendas. Indignado (mais do que nunca) pela situação que se repetia, lá foi ele tentar falar com o governador, na sede do governo regional em Sidi Bouzi, sua cidade. Não teve seu pedido atendido, muito pelo contrário: foi humilhado publicamente por uma funcionária municipal que lhe cuspiu na cara, dando-lhe também um tapa. Com tamanha humilhação, ele toma uma decisão que iria incendiar todo o país, toda uma região.

Na sexta-feira, dia 17 de Dezembro de 2010, Mohamed Bouazizi compra querosene. Decide colocar fogo em sí, em frente de tudo e de todos. A cidade fica em povoroza ao ver o homem em chamas. Ele morre 18 dias depois, na terça-feira (4 de Janeiro de 2011), em um hospital na cidade de Ben Aros. Antes de morrer, recebeu a visita do então presidente na época, Zine El Abidine Ben Ali, já que o mesmo estava percebendo que o país estava “saindo do controle”. Mas de pouco adiantava, o país já estava em chamas. Cerca de 5.000 pessoas participaram da procissão funerária. O desejo de mudança estava bem vivo e se alastrando com tamanha rapidez por toda a Tunísia.

Dez dias depois da morte de Mohamed Bouazizi (14 de Janeiro de 2011) o opressor presidente foge para a Arábia Saudita, largando o governo. Termina a ditadura, mas um longo processo de passeatas e gritos ainda continua por todo o mês de Janeiro de 2011. Começava “a caça as bruxas”, familiares do então ex-presidente e sua esposa, pessoas ligadas à ele e seu partido político. Prédios do mesmo foram queimados, o povo dizia a alto e bom som, “chega!”.

Incertezas ainda continuam, apesar da grande vitória custeada pelo fogo do jovem de Sidi Bouazi. Toda região foi tocada, antigas verdades estão sendo questionadas. O povo quer se manifestar, quer dizer o que pensa. Quando falamos de países árabes que, infelizmente, são em sua grande maioria regidos por regimes fortes e autoritários, é uma vitória e tanto. Mas como nós, como Igreja de Cristo, podemos interagir com este movimento?

Essa é a grande pergunta. Cremos em um Deus que faz história, que controla reinos e inclina coração de reis. Nada passa desapercebido aos Seus olhos, Ele não é surpreendido. Precisamos ver a história do mundo com Seus olhos e, muito mais do que isso, “arregaçar as mangas” para construir Seu reino na terra. “A quem enviarei?”, essa é a pergunta que ecoa nesse século XXI.

O jovem simpático Mohamed Bouazizi de 26 anos mal sabia o resultado de seu ato inusitado e feroz. Que possamos também, como Igreja do Senhor Jesus, ter atos que provoquem revolução nos corações. Deus já falou que Ele não tem prazer na morte do perverso, mas antes que ele se converta. Temos, através do Espirito Santo, a capacidade de ir até estes que Ele ama, com o “fogo de Deus”, demonstrado em palavras e testemunho, com poder e amor, pelo e para o Seu Reino.

Você, como cristão, pode até não conhecer a flor de Jasmim. Mas penso que você sabe que o perfume de Cristo está em você, está naqueles que nasceram da água e do Espírito. Que esse perfume nos tire da letargia, nos estimule, nos faça sair do “sono espiritual” para alcançar aqueles que Ele ama. E nós também.

“E o mais Ele fará”.

Saiba mais:

– Primavera Árabe

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